VERSÍCULOS MAL APLICADOS EM DEFESA DA TRINDADE!"



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É comum lermos em literaturas trinitárias, na busca da defesa de identificar Jesus como sendo o "próprio Deus", versículos que se lhe atribui propriedades que somente Deus tem. No entanto, tais versículos, na verdade testemunham de forma perceptível ao contrário do que afirmam aqueles que os usam, e os defensores da trindade de tanto repetir conseguiram impregnar uma realidade equivocada em muitos leitores.


👉☝️📖👀Como exemplo temos a afirmação de que Jesus é inerentemente Onipotente e os versículos usados para defender essa afirmação são, em geral, Mt. 28.18 “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” ou então Mt. 11.27 “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, ....”. A primeira observação que devemos fazer aqui é acerca da expressão traduzida por “poder”, pois ao lermos “todo o poder” logo deduzimos que Jesus é todo-poderoso e, por consequência teria, então, um status, no mínimo, igual ao do Pai, de quem se diz ser “Todo- Podereso”, mas “todo o poder” nesse trecho é, em grego, 👉“πᾶσα ἐξουσία”, 🕵️‍♂️👈diferente daquela usada para dizer que Deu, o Pai, é Todo-Poderoso (παντοκράτωρ571), como, por exemplo, em II Co. 6.18, “E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso”. Na verdade “ἐξουσία” tem conotação de autoridade, não exatamente poder e seria melhor traduzido por “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”.


 A tradução dessa palavra por “autoridade” é

encontrada em Lc. 10.19 “Eis que vos dei autoridade (ἐξουσίαν) para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder (δύναμιν) do inimigo; e nada vos fará dano algum” De qualquer forma perceba, em ambos os casos vemos uma fonte da qual emana a capacidade do Filho e que não é o próprio Filho. Em um verso se diz “É-me dado...”, geralmente essa forma passiva costuma ser citada como

ativa e não é, e, no outro é dito “Todas as coisas me foram entregues”. Ele é o receptáculo e não a origem em si. O que hoje ele tem vem do Pai por quem foi determinado em certo momento.

🕵️‍♂️👉📖Os versículos usados para atribuir Onisciência a Jesus, são basicamente aqueles que dizem que Nosso Senhor Jesus Cristo conhecia os corações e pensamentos, como em Mt. 9.4 “Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: Por que pensais mal em vossos corações?” ou Mc. 2.8 “E Jesus,

conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações?”, no entanto, tais versículos refletem o poder que Deus lhe deu, como também nós poderemos ter I Co. 12.10 “E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas.” e que o próprio Pedro revelou, pelo Espírito, ter essa capacidade de saber das coisas sem que

nenhum ser humano o houvesse informado a respeito, em At. 5.3 “Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da

herdade?” Como Pedro poderia saber que Ananias havia mentido? Isso reflete, por acaso, alguma onisciência em Pedro? Certamente apenas ciência, mas não onisciência. Assim, nenhuma resposta satisfatória ou ao menos plausível foi dada, até hoje, à passagem de Mc. 13.32: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai.”, pois se Ele, Jesus Nosso

Senhor, era onisciente por versículos como Mt. 9.4 e Mc. 2.8 porque, então, Ele mesmo diz não saber o dia de sua volta? É possível a um onisciente, assim defendido como tal com base naqueles versículos, não saber alguma coisa? Logo, tais versículos são mal aplicados com o objetivo de atribuir onisciência a Cristo para poder reconhecê-lo como consubstancial e coigual com o Pai.

Outra afirmação é que Ele, a exemplo de Deus seu Pai, tem vida em si mesmo. Tal afirmação

só é verdadeira em parte porque o verso que usam para defender isso diz exatamente que Jo. 5.26

“Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo”. Mais uma vez vemos aqui uma fonte original de vida que não é o Filho, mas, sim o Pai. Jesus tem vida em si mesmo, é verdade, a Bíblia o diz; no entanto, tal vida deriva do Pai.


🕵️‍♂️📖😰Há quem reivindique que Jesus é o “EU SOU” do Antigo Testamento, se utilizando não de Jo. 8.58 como de costume, mas de Jo. 8.24 “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que EU SOU, morrereis em vossos pecados.” Realmente, enquanto lermos os versos isolados de seus contextos teremos, talvez, margem para um entendimento trinitário ou unicista. Está ai,

novamente, o “EU SOU" completamente isolado. Mas, leiamos o verso 23, que é o verso imediatamente anterior ao citado: “E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.” Lido este versículo, a pergunta é: 🕵️‍♂️🙄😩📖Jesus estava reivindicando o quê dos judeus ao dizer “se não credes que eu sou”? Será que estava afirmando que era Yahweh (ou um coigual) ou informando, muito simplesmente, que se os judeus não crescem que ele era de cima, ou

seja, de Deus, morreriam em seus pecados? O entendimento natural, respeitado o contexto, do verso é “se não crerdes que eu sou de cima morrereis em vossos pecados.” Note-se que sem muito esforço a ideia trinitária é serenamente desfeita, mas muitos cristoteístas colocam suas preconcepções à frente do verso e simplesmente não desejam atinar para o que está dito, sem colocar o dogma como base. 

Esses versos fazem parte de um conjunto de sete versos (Jo. 8.24, 28, 58; 13.19; 18.5, 6,

8 572) no evangelho de João que os trinitários gostam de acreditar que ali foi empregado o absoluto da expressão “eu sou”(ego eimi). A ideia por trás de se requerer esses usos absolutos está na tentativa de

identificar Jesus com sendo o próprio Deus.


Vimos que a ideia trinitária em Jo. 8.24, 28 não se sustentam ante o contexto imediato. 

Jo. 8.58 há a introdução da cláusula temporal “antes”, então não é desde sempre, mas “antes de Abraão”, como já abordamos em outro momento.

Em Jo. 13.19 o trecho “acrediteis que eu sou” também tem sido reivindicado como uma

suposta identificação de Jesus com Deus pela dogmática trinitária, mas considere que os que reivindicam isso, sugerem que “eu sou” seria aí um equivalente do nome de Deus, Yahweh. Ora, mas se substituirmos o suposto equivalente a frase, simplesmente, perde o sentido, Jesus não diria falando de si mesmo “acrediteis que Yahweh”, querendo dizer que era Yahweh sem usar o verbo de ligação.

🕵️‍♂️📖O que diz o contexto desse verso? A católica, Bíblia Ave Maria, portanto sem qualquer razão para querer desfazer as pretensões dogmáticas trinitárias, traduz: “creiais e reconheçais quem sou eu”.

De fato, a ideia básica do texto é que os discípulos acreditem que Jesus é o prometido profeta messiânico que havia de vir. Sem qualquer pretensão de se identificar com sendo o próprio Deus. E isso não deveria ser difícil de, mesmo um trinitário, perceber, já versos antes, 14 em diante Jesus

afirmar ser mestre e senhor que lavou os pés de seus discípulos. Então, o que ele determina é que os discípulos creiam nisso! Não há nenhuma pretensão de Jesus de se identificar, em um contexto em que ele prediz algo antes de acontecer (coisa que os profetas sempre fizeram) como sendo próprio Deus do

Antigo Testamento. Uma conclusão destoante como essa seria ir muito além do que está escrito.

Nesse contexto cabe sem muito esforço o entendimento de que Jesus diz “creiais” que sou “mestre”, “senhor”, “profeta que vos digo coisa antes que ocorram”, “enviado que vos envia também”, mas saltar disso para uma identificação na deidade será uma opção de transferir a conclusão da Bíblia para a

dogmática.

Jo. 18.5,6 é o pior do grupo dos sete versos, se a intenção for querer identificar Jesus como

sendo o próprio  Deus. Ora, se alguém pergunta a um grupo de pessoas: “Quem é fulano?”, e “fulano” está no grupo, e não pretendendo se esconder se põe à frente, é natural que esse diga: “Sou eu” (“sou eu” e “eu sou” se escreve ‘ego eimi” em grego). Simplesmente foi isso que Jesus fez. No verso 8, não citado

nesse grupo de sete versos requeridos pelos trinitários, após a insistência dos encarceradores, Jesus diz: “Já vos disse que sou eu”. Evidentemente esse “sou eu” é no mesmo sentido dos versos 5 e 6, ou seja, é apenas uma resposta de apresentação à pergunta dos que lá o foram prender. Não é preciso esforço para ver que o argumento que busca ver nessas ocorrências uma identificação de Jesus como

sendo o Deus de Israel é extremamente forçado.


Bibliografia______________________________


570 O curioso é que as antigas redações da KJV falavam em unicórdios (e.g Jó 39.9,10). As primeiras Almeidas seguiram 

a KJV. 

571 Exsitem sete ocorrências da palavra παντοκράτωρ (pantokrator) no N.T além da citada encontramos outras seis em 

Apocalipse: 1.8, 4.8, 11.17, 15.13, 16.7, 19.6, 21.22572 Philip Harner, The “I Am” of the Fourth Gospel, (Philadelphia: Fortress Press, 1970) pg. 4.

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