O ANTIGO TESTAMENTO FALA DE YAHWEH COMO SENDO DOIS, OU TRÊS?

 ***O ANTIGO TESTAMENTO FALA DE YAHWEH COMO SENDO DOIS, OU TRÊS?***



Isto não deveria ser difícil de responder para os crentes monoteístas, muito mais quando além

de monoteísta se tem a Bíblia como regra de fé.

A discussão propriamente dita sobre o assunto passa invariavelmente pela questão

cristológica, ou seja, começa a partir do estudo de quem é Jesus, portanto depois de 3.000 anos de história bíblica. Antes de Cristo, não havia a menor dúvida entre os seguidores do Único Deus que Ele fosse apenas Um e Um Só, no sentido estrito da palavra, como se observa na declaração de fé do Yahweh êl'Yisrâ 214`Shema “שְׁמַע יִשְׂרָ אֵל יְהוָה אֱלֹ הֵינוּ יְהוָה אֶחָד :4.6. Dt em, bíblico monoteísmo

'elohêynu Yahweh 'echâdh” (Escuta Israel! Javé é nosso Deus, Javé é um215). Esse conceito não deveria ter mudado com a vinda de Cristo, pois ele próprio repete este verso (Mc. 12.29) e sustenta isso em Jo. 17.3. Mas a partir dos milagres de Jesus e alguns poucos versículos certos pensadores cristãos transformaram Deus em um ser composto por incluir Jesus como uma segunda pessoa de Deus. Essa

transformação não ocorreu da noite para o dia, mas aconteceu gradualmente em um processo que só foi completamente resolvido no concílio de Calcedônio em 451 d.C. Com essa nova visão alguns chegam a afirmar que em certas passagens do Antigo Testamento Yahweh pode ser entendido como, pelo menos, dois; e Jesus seria um desses dois em sua manifestação teofânica. Vamos tratar dessa questão a partir das leituras que costumam ser apresentadas.

A primeira delas é Gn. 19.24: “Então Yahweh fez chover enxofre e fogo, de Yahweh desde os

céus, sobre Sodoma e Gomorra;”

216. A Bíblia de Jerusalém traduziu: “Iahweh fez chover, sobre Sodoma

e Gomorra, enxofre e fogo vindos de Iahweh.”. Ora, sabemos que Dt. 6.4 “Ouve Israel, Yahweh nosso Deus é um” 217. Esse texto foi e ainda é repetido a milênios pelos seguidores do judaísmo, religião surgida após Deus haver se apresentado aos patriarcas que originaram os judeus, e, que é berço do cristianismo. Estas mesmas palavras de Dt. 6.4 anulam a pretensão de alguns verem dois Yahweh(s)

em qualquer versículo que seja. Mas, como existe uma ausência perceptível nas Escrituras de algum ensino formal sobre a trindade os defensores desse dogma buscam tentar materializar alguma prova a partir de versos como Gn. 19.24. Fazendo uso da leitura que “Yahweh fez chover ... de Yahweh”

alguns alegam que Yahweh é, pelo menos, dois, e, no conceito trinitário, um estaria sobre a terra (que seria o Filho “pré-encarnado”) e o outro no céu (o Pai em sua majestade), mas além disso não ser afirmado em lugar algum desse relato bíblico, feriria frontalmente Dt. 6.4 que afirma que “Yahweh é um”. Mas, se Yahweh é um, como explicar o relato de Gênesis a partir da reivindicação trinitária?


Como já foi falado, diante da ausência de qualquer elemento de ensinamento sobre uma

trindade na Bíblia ou mesmo uma pluralidade em Deus, o caminho trinitário tem sido ler alguns versos sob uma ótica não bíblica. Uma ótica que já tem como pressuposto uma pluralidade em Deus.

No entanto, a Bíblia tem elementos simples que mostram o equívoco dessa linha de pensamento.

Note, por exemplo, Gn. 4.23 “E disse Lameque a suas mulheres Ada e Zilá: Ouvi a minha

voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras”. Embora o relato registre que Lameque tenha dito para suas mulheres ouvirem a voz de Lameque, como se ele estivesse falando de outra

pessoa, em vez de dizer “minha voz” referindo-se a si mesmo, ninguém, justamente por não ter motivação externa, é movido a entender que haja dois Lameques. 

Observe também 1Rs 12:21 “Vindo, pois, Roboão a Jerusalém, reuniu toda a casa de Judá e a tribo de Benjamim, cento e oitenta mil escolhidos, destros para a guerra, para pelejar contra a casa de Israel, para restituir o reino a Roboão, filho de Salomão.” Aqui, mais uma vez, embora se fale de Roboão como aquele que reuniu tropas para restituir o reino a Roboão, ninguém reivindica que haja dois Roboãos ou que um mesmo Roboão seja dois. Vide também Gn. 17.23.

Outro exemplo pode ser encontrado em I Rs. 8.1. No texto original hebraico a palavra

“Salomão” ocorre duas vezes nesse verso, mas nas atuais versões de Almeida só aparece uma. Veja a redação na Almeida Corrigida Fiel “Então congregou Salomão os anciãos de Israel, e todos os cabeças das tribos, os chefes dos pais dos filhos de Israel, diante de si em Jerusalém; para fazerem subir a arca

da aliança de Yahweh da cidade de Davi, que é Sião.” Nessa versão a segunda ocorrência da palavra “Salomão” foi substituída “diante de si”, mas a Almeida de 1911 vertera corretamente o verso: “Então congregou Salomão os anciãos de Israel, e todos os Cabeças das tribus, os principes dos paes, d'entre os filhos de Israel, ao rei Salomão218 em Jerusalem; para fazerem subir a arca do concerto de Yahweh

da cidade de David, que é Sião.”219

Em I Rs. 14.2 lemos “E disse Jeroboão à sua mulher: Levanta-te agora, e disfarça-te, para

que não conheçam que és mulher de Jeroboão...”. Percebe-se que apesar de o texto bíblico não usar a expressão “minha mulher” na segunda parte do texto, mas “mulher de Jeroboão” duas vezes, não

significa que haviam dois que eram reconhecidos como Jeroboão. Uma leitura de Yahweh como sendo dois ou de dois Yahweh em Gn. 19.24 tem motivação eisegética, e não exegética.

Digno de nota é que no relado de Gênesis 19 há o envolvimento da representação de Yahweh.

De qualquer jeito a forma literária, como vimos, não aponta para dois Yahweh(s) ou que o mesmo Yahweh seja dois, mas se usa uma forma comum na literatura bíblica onde em vez da aparição de um pronome após o uso de um nome, há uma recorrência do nome sem que isso signifique que o mesmo

nome se refira a mais de um ser, ente, ou pessoa.

Logo, não são dois seres chamados Yahweh, pois a Bíblia não diz que ele “é” dois, mas

apenas UM. Todos afirmam que Yahweh é onipresente, mas se ELE estiver na terra teofanicamente e no céu que é seu trono executando juízo, então, tentam, logo, atribuir multiplicidade a ELE para abrir

margem à trindade. Dizermos que Yahweh é onipresente é bíblico (Sl. 139.8), dizermos que ELE é UM também é bíblico (Dt. 6.4), mas dizer que ELE é “dois” ou “três” não só é não bíblico como antibíblico. Dt. 6.4 anula também a alegação de alguns trinitários quando afirmam ser Jesus o próprio Yahweh, pois nesse caso Yahweh seria dois, e não um como positivamente é afirmado em

Deuteronômio e em inúmeras outras passagens da Bíblia.

A singularidade de Deus (no sentido de ser apenas o Pai, e, um e único) não foi produzida

por concepção de nenhum “pensador” judeu, pagão ou clérigo eclesiástico, ela é ensinada clara e abertamente dentro de toda Bíblia Sagrada de forma direta e explícita, sem rodeios ou insinuações, e atestada por ELE mesmo e por seu Filho Jesus Cristo. Já o trinitarianismo bem como o sabelianismo,

com quem guarda alguma similaridade, são frutos de reflexões filosóficas e de alguns artifícios teológicos.


VEJAM MAIS SOBRE O SIGNIFICADO DE "UM" EM DEUT 6.4 NESTE LINK 

Comentários

  1. Olá irmão Daniel tenho mesmo entendimento nos assuntos que você aborda, desejo poder falar com o irmão tem algum contato que você possa passar ?

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas