João 17.1,3 diz que o Pai é o único Deus Verdadeiro, Jesus seria um Deus falso?
UMA FALSA DICOTOMIA.
As vezes as pessoas são colocadas diante de situações que aos seus olhos apenas uma
determinada saída é a plausível. Isso pode ocorrer principalmente nos casos em que nem todas as possibilidades são apresentadas. Quando as coisas são colocadas em termos de Verdadeiro x Falso, certamente, para o crente em Deus, apenas o que é verdadeiro deve ser abraçado. O problema é:
Todas as questões foram colocadas à mesa?
Muitos trinitários se veem diante de uma dicotomia ao lerem Jo. 1.1 onde se diz que “O
Verbo era Deus” e Jo. 17.3 onde se fala do “único Deus Verdadeiro” como sendo o Pai. Ora, se existe apenas um único Deus Verdadeiro e se o Verbo, identificado como Jesus no contexto de Jo. 1, é chamado de Deus, então, existe uma avaliação a ser feita. Se Jesus não é um falso Deus, e nem pode ser, resta, a partir dessa perspectiva, a alternativa possível: Ele deve ser o único Deus Verdadeiro
também. Tal conclusão, na visão trinitária, não faz dele o Pai (apesar de ser exatamente do Pai que se fala em Jo. 17.3), faz de Jesus, apenas, o mesmo Deus que o Pai. Essa conclusão decorre justamente da dicotomia “Deus Verdadeiro” x “Deus Falso”. Como Jesus não pode ser Deus Falso, tem que,
necessariamente, ser o Deus Verdadeiro de que falou João no capítulo 17. Como só existe um único Deus Verdadeiro, então, ele deve ser esse único Deus Verdadeiro conjuntamente com o Pai. Mas, a questão é: Do ponto de vista bíblico, essa dicotomia existe?
Para termos certeza se a dicotomia “Deus Verdadeiro” x “deus falso” é real precisamos,
primeiro, conhecer se os usos do vocábulo “Deus”, dentro da Bíblia, determinam ou impõem esse tipo de arranjo ou se há outros entendimentos possíveis.
É verdade que o vocábulo “Deus” ou “deus” (no hebraico antigo, bem como no grego não
existiam maiúsculas e minúsculas, todas as letras eram da mesma forma) é aplicado para deuses falsos, e aplicado ao Deus verdadeiro. Isso, contudo, não cria a dicotomia proposta já que existe um terceiro grupo de ocorrências dessa palavra que acrescenta uma forma de uso completamente desconhecida pela maioria dos cristãos de hoje, em especial os trinitários, justamente porque só lhes
foi apresentada a dicotomia que indicamos acima.
A palavra “Deus” vem de um vocábulo hebraico que não é exatamente a designação de, por
assim dizer, uma deidade. O vocábulo tem o sentido de “força”, “poder” e afins, por esse motivo é aplicado a(s) deidade(s). Tanto “לֵא) “el) como “יםִהֹלוֱא) “elohim) são comumente traduzidas por “deus” ou “Deus” em nossas bíblias, mas o escritor original ao usá-la quis apontar a noção de poder que é atribuída ao referente. Em nossa cultura o vocábulo “Deus” é um termo técnico que significa, na
esfera religiosa, um ente espiritual a quem se deve devoção, mas nos tempos bíblicos não tinha apenas essa conotação.
Para se ter uma ideia do uso cultural da palavra, que não passa necessariamente pela
identificação e atrelamento obrigatório a uma deidade (no entendimento moderno da palavra), podemos ler, por exemplo, Gn. 31.29 “Poder havia em minha mão para vos fazer mal, mas o Deus de vosso pai me falou ontem à noite, dizendo: Guarda-te, que não fales com Jacó nem bem nem mal. ”
190
A palavra “poder” que inicia o versículo é “לֵא’) “el) a mesma palavra que é traduzida por “Deus”, por exemplo, no Sl. 136.26 “Louvai ao Deus (לֵא (dos céus; ...” ou Dn. 11.36 “... o Deus (לֵא (dos deuses falará coisas espantosas...”. Mas, certamente Gn. 31.29 não deve ser entendido como “Deus havia em
minha mão”. Isso indica que a palavra é melhor entendida como relacionada a “poder”. A palavra “Poderoso” seria perfeitamente cabível em Sl. 136.26 e Dn. 11.36, no lugar da palavra “Deus”, mas o inverso não caberia em Gn. 31.29, confirmando a ideia etimológica de poder.
O Sl. 36.6 ao dizer: “A tua justiça é como as grandes (לֵא (montanhas”. Verteu-se por
“grande” o vocábuloלֵא .Certamente não se quis dizer aqui “Deus Montanhas”. Pv. 3.27 fala de “a capacidade de fazê-lo” onde se lê “capacidade”, está no original לֵא .Em ambos podem ser entendidos no sentido de poder. O famoso Sl. 82.6 apresenta: “Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo”. Onde os filhos do Altíssimo, portanto filhos de Yahweh, são chamados de “deuses”, יםִהֹלוֱא
em hebraico. Mas, todos os mais renomados estudiosos reconhecem que esses filhos não eram deuses a quem se cultuava, mas os juízes de Israel que tinham por concessão a autoridade divina de julgar a
nação de Yahweh.
A diversidade de traduções possíveis para o termo, pode ser visto, por exemplo, no trato que as versões dão ao Sl 29.1: “Dai a Yahweh, ó filhos dos poderosos, dai a Yahweh glória e força. ” (ACF) “Tributai a Yahweh, seres angelicais, tributai glória e força a Yahweh.” (AC21) “Tributai a Jeová, filhos de Deus, tributai a Jeová glória e força.” (TB – SBB) “Atribuam a Yahweh, ó seres celestiais, atribuam a Yaweh glória e força” (NVI)
A pergunta natural que saltará da leitura desses versos é: por que certo trecho da Bíblia é vertido por “filhos dos poderosos”, “seres angelicais”, “filhos de Deus” e “seres celestiais”. A resposta é que essa variedade de traduções só é possível porque o termo original hebraico “יםִלֵא)“Elim), plural
de “לֵא) “El) pode ser traduzida ou entendida dessas forma.
Caso semelhante é o Sl. 89.6:
“Pois quem no céu se pode igualar a Yahweh? Quem entre os filhos dos poderosos pode ser
semelhante a Yahweh?” (ACF)
“Pois quem nos céus é comparável a Yahweh? Quem entre os seres angelicais é semelhante a Yahweh” “Pois quem, lá no alto, se pode comparar a Jeová? Quem entre os filhos de Deus é semelhante a Jeová,” (TB – SBB) “Pois, quem nos céus poderá comparar-se a Yahweh? Quem dentre os seres celestiais
assemelha-se a Yahweh?” (NVI)
Isso mostra quão variável pode ser o entendimento de um texto onde a palavra “Deus” é encontrada.
Destaque-se o Sl. 45.6,7: “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um
cetro de equidade. 7 Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.” Aqui se fala, no v.6, de “Deus” (elohim) e no v.7 do Deus de “Deus”.
Temos, então, dois identificados com o vocábulo “Deus”, mas só um é Deus no sentido mais específico da palavra, ou seja, apenas um tem verdadeiramente a supremacia. Mas, o
“Deus” que tem um Deus sobre si não é um ídolo, não é um concorrente, embora também não seja um coigual, já que está sob a Deidade do outro.
O contexto deixa claro que um dos que foi chamado de “Deus” é um dos reis de Israel, de
quem se diz ter esposa, filhas e etc, basta ler todo o Salmo para constatar. Evidentemente esse “elohim” não é o Deus dos céus descrito no Sl. 136.26, já citado. Não é “Deus” no sentido que adotamos hoje. Não se enquadra, claro, na categoria que só Yahweh, o Todo-Podoroso, está. E é igualmente evidente que esse rei, que foi chamado de “elohim”, não se enquadra na categoria dos falsos deuses inanimados, porque ele era um “poderoso” e um real representante de Deus na terra.
Esse tipo de constatação, nem sempre é percebido nos dias de hoje, porque em nossa cultura o vocábulo “Deus” tornou-se um termo técnico religioso. Na Bíblia, porém, a palavra servia a mais de um propósito e pode ser classificada como polissêmica.
Assim, o vocábulo “Deus” (יםִהֹלוֱא, לֵא ,ou יםִלֵא (poderia ser usado em diversos contextos
para designar tanto homens, como juízes e reis, seres espirituais, por exemplo, anjos e até mesmo coisas (montanha, mão e etc), sem que isso constituísse uma agressão a soberania e a posição do Deus dos Céus, pois em muitos casos é por aprovação e determinação do próprio Deus que eles são denominados assim. Vide Sl. 82.6 e Jo. 10.34.
Note-se o que diz a respeito dos usos do termo “Deus” o livro intitulado Pai, Filho e Espírito
– A Trindade no Evangelho de João, diz: “De fato, o AT e a literatura do Segundo Templo apresentam várias passagens em que outros seres, que não Deus, são chamados de 'deus”. Filo se refere a Moisés como 'deus' (Mos. 1.155-158; Prob. 42-44; cf. Ex. 7.1). Os juízes humanos são chamados de 'deuses' na LXX (Êx. 22.27), assim como os anjos (Sl. 8.6; 82.1,6; 97.6; 138.1) e a figura misteriosa de
Melquisedeque (11QMelch 2.24,25).”
191
Do exposto acima concluímos, facilmente, que o termo “Deus” pode ser aplicado em mais de
um contexto e que há usos permitidos por Deus mesmo, sem que se gere politeísmo, oposição ao Deus Altíssimo ou mesmo alguma coigualdade ou consubstancialidade com Deus. Cientes disso, podemos perceber que a dicotomia que coloca a questão apenas como “Deus Verdadeiro” x “Deus falso” está
mal construída e, de fato, é incompleta se tomarmos a Bíblia e os exemplos existentes na literatura correlata como parâmetro.
Isso posto, voltemos, agora, para analisar melhor a dicotomia aplicada a Jo. 1.1. Todo
gramático de língua grega admite que esse verso de João não chama ou identifica Jesus como sendo o Ente Deus, mas que ali a construção fraseológica indica que Jesus foi qualificado com o termo “Deus”, ou seja, não é “Deus” como se fosse um nome, mas a qualidade. É um predicativo, assim como era predicativo também o termo quando foi aplicado a Moisés192, os reis193, juízes194, anjos195 e etc.
Devemos considerar que, claro, Moisés não era um anjo e nem foi rei, e vice-versa, no entanto apesar de diferentes inclusive em hierarquia, todos foram chamados de “Deus” sem qualquer estabelecimento de identidade com o Todo-Poderoso. Isso permite perceber que o termo “Deus” aplicado a Jesus em
Jo. 1.1, apesar de nosso Senhor ser, evidentemente, hierarquicamente maior que Moisés, reis ou anjos, o termo por si só, não estabelece, como querem alguns, igualdade ou identidade com Deus. Até porque se o Verbo estava com Deus, logo não poderia ser o mesmo Deus com quem estava, assim como “Deus” e o Deus de “Deus” do Sl. 45 não eram o mesmo Deus. E trocar o termo “Deus” por
“Pai” em Jo. 1.1 para dizer que Verbo estava com Pai, a fim de classificá-los como sendo o mesmo Deus é um artifício para negar a realidade dita a partir dos vocábulos originalmente empregados.
Considerando os usos e aplicações da palavra “Deus” dentro da cultura judaica, e João era
um judeu, não há motivos para crermos que João estivesse colocando a posição de Jesus em desacordo com a declaração do próprio Jesus, registrada pelo mesmo João em Jo. 17.3, quando identifica apenas o Pai como único Deus verdadeiro. Deve-se destacar que Jesus, nesse verso, não classifica o Pai apenas como Deus Verdadeiro como se pudesse existir mais de que fosse esse Deus Verdadeiro, mas como o ÚNICO Deus Verdadeiro, “μόνον ἀληθινὸν Θεὸν” (mónon alêthinòn Theòn). Desse modo
Jesus não dá margem para que quaisquer outros, inclusive ele mesmo, possa ser enquadrado nessa classe especial em que somente o Pai está.
Muitos argumentam que Jesus estava como homem, ainda na terra, quando classificou o Pai de Único Deus Verdadeiro, mas esse argumento frágil não desfaz a afirmação de que o Pai, somente ele, seja o único Deus Verdadeiro. Como dissemos, Jesus não chama o Pai apenas de Deus Verdadeiro, mas de Único Deus Verdadeiro, e se Jesus fosse Deus e homem na terra ele não poderia
dizer ser o Pai o Único, pois de alguma forma ele também deveria ser 196. Além disso o fato de Jesus ser um humano quando estava na terra, não o torna um faltoso com a verdade e nem que aquela declaração seja parcial, incompleta ou dependente de alguma brecha temporal, qual seja, o tempo de
vida de Jesus na terra.
Todos os teólogos trinitários afirmam que Jesus é Deus e homem ao mesmo tempo, então, podemos dizer, didaticamente, que Jesus, supostamente, faria parte de dois grupos A (Deus) e B (homem) simultaneamente. Nessas condições ele não pode dizer que SOMENTE um outro, o Pai, faz parte do grupo A, pois isso não seria verdade se ele, de fato, fosse também pertencente ao grupo A (Deus). Devemos ter claro em nossa mente que Jesus não confundiria seus discípulos afirmando que só o Pai era o único Deus Verdadeiro, para que depois, ele próprio, devesse ser considerado por esses mesmos discípulos que ouviram aquela declaração também como único Deus Verdadeiro. Alguns
alegarão que ele disse isso por humildade, mas além do fato de humildade não dever ser um indutor de mentira ou engano, deveríamos, ainda, analisar e levar em consideração que se a humanidade dele foi o que o fez se excluir dessa classificação exclusiva do Pai, então, por que ele não listou com o Pai, também, o Espírito Santo, a suposta terceira pessoa da trindade, como Deus Verdadeiro, já que o
Espírito Santo não estava como homem e, por isso, sem, absolutamente, nenhuma limitação ou necessidade de alguma “humildade”?
Ora, o que quer que Jesus fosse naquele momento ele reconhece apenas o Pai nessa condição de Deus Verdadeiro. Não podemos supor que o que Jesus declarou ser exclusividade do Pai seja uma
condição temporária, e que essa condição do Pai de ser, somente ele, o ÚNICO Deus Verdadeiro dependia da condição terrena de Jesus. Certamente a condição de único Deus atribuída ao Pai por Jesus é real e não depende de fatores externos, nem mesmo da própria condição temporária e terrena
de seu Filho. A afirmação de Jo. 17.3 era verdade quando Jesus pronunciou e continua sendo verdade hoje, pois não se pode dizer que o Pai era o único Deus Verdadeiro apenas enquanto Jesus estava na carne, visto que se essa fosse a dependência da afirmação feita em Jo. 17.3, então, isso deveria significar também, mesmo para um trinitário, que Jesus na terra, em carne, não era Deus Verdadeiro,
para que somente o Pai fosse reconhecido assim. E se Jesus não era na Terra o mesmo que o Pai é, logo, não era eternamente Deus, e se não era eternamente Deus, então, evidentemente, não era Deus O PRÓPRIO Deus de fato! Deus é Deus de eternidade a eternidade (Sl 90:2).
Não podemos crer que o Pai deixaria de ser o ÚNICO Deus Verdadeiro para que o Filho e o
Espírito Santo fossem agregados posteriormente nessa condição pela teologia pós-apostólica, como se aquela oração de Jesus devesse ser refeita algum tempo depois pelos cristãos, incluindo mais dois na categoria que só o Pai está. Isto seria reescrever a oração de Jesus, e por conseguinte a Bíblia. Mas, devemos nos lembrar que somos instados pelas Escrituras a não lhes acrescentar nada. Em outras palavras a proposta de solução trinitária leva a um beco sem saída.
A falsa dicotomia que busca identificar Jesus como Deus tal qual o Pai, ou seja, como Único
Deus Verdadeiro, na verdade, destrói as verdades bíblicas contidas em Jo. 1.1 e Jo. 17.3, pois o Pai deixa de ser o Único Deus Verdadeiro, como afirmado por Jesus, para que Jesus também seja esse mesmo Deus Único e Verdadeiro juntamente com o Espírito Santo. E a afirmação de Jo. 1.1 deixa de ser um qualificativo como ocorria na cultura hebraica, para ser a designação do Ente, coisa que o verso gramaticalmente não diz!
__________________________________________
189 R. N Champlin, Ph. D. em Enciclopédia de Bíblia Teologia & Filosofia, Volume 4, Editora Hagnos – Edição 11ª –
2013, pág. 348.190 Frases similares podem ser encontradas em Dt. 28.32, Ne. 5.5.191 Andreas J. Köstenberg e Scott R. Swain em Pai, Filho e Espírito - A Trindade no Evangelho de João. Edições Vida
Nova, 1ª Edição – 2014, pag. 45. Essa mesma obra tenta preterir essa valiosa informação afirmando que estes eram
reconhecidos como criaturas, buscando, assim, distingui-las de Jesus, ou seja, para o escritor aqueles foram chamados
de 'deus”, mas não eram de fato, e no entender trinitário Jesus era. Essa ideia é anacrônica pois parte da fé do escritor em achar que Jesus é o próprio Deus. Esquece-se que Jesus foi chamado de princípio da criação de Deus [através dele foi criado tudo]. Além do mais afirmar que Jesus era “Deus” e por isso foi chamado de Deus é uma falácia lógica conhecida como petição de
princípio. Infelizmente o escritor preferiu a informação objetiva e documentada que trouxe pelo subjetivo de sua
própria fé.192 Ex. 4.16 , Ex. 7.1.
193 Sl. 45.6
194 Ex. 21.6
195 Sl. 8.5 (ARA) cf. Hb. 2.7.
196 As oscilações das definições trinitárias podem confundir e serem usadas alternadamente para tentar ofuscar essa
verdade. Alguns vão dizer que essa percepção de Jesus em distinção com Deus que beneficia a argumentação de quem defende Deus como 1 Uma pessoa literalmente se dá porque ele é visto como uma pessoa, e pessoa não seria a melhor definição para cada um dos
“membros” da trindade. Mas, mesmo que se descarte a ideia de “persona” (pessoa) como veículo de distinção e adote-
se “hipóstase”, “manifestação” ou o que quer que o academicismo trinitário possa propor, ainda assim, Jesus se exclui,
nessa afirmação da identidade de ser o único Deus Verdadeiro, reservando isto ao Pai.



Comentários
Postar um comentário