CARACTERÍSTICAS DO FILHO [o Senhor Jesus] QUE O DISTINGUE DE DEUS
CARACTERÍSTICAS DO FILHO [o Senhor Jesus] QUE O DISTINGUE DE DEUS
NOTA:NÃO SÓ ASSISTA O VÍDEO MAIS LEIA O TEXTO,DEIXE A PREGUIÇA DE LADO E SEU MEDO DE TER MAIS CONHECIMENTO...😉
● ○Distinção antológica👇🕵️♂️📖
Acerca de Deus, o Pai, não há dúvidas. Ele é Onisciente, Onipotente, Onipresente e Imortal.
Se alguém é indicado como sendo o próprio Deus Eterno, nenhuma dessas qualidades pode lhe faltar. Os credos criados pelos homens para ensinar a trindade afirmam que “O que o Pai é, o mesmo é o Filho...” diz-se ainda “O Pai é ilimitado, o Filho é ilimitado ...”, isto é afirmado em sentido pleno no
Credo Atanasiano. Se a trindade depender dessas afirmações para ser verdade, então, os atanasianos estão devendo, pois a Bíblia prova que:
●>O Filho não é inerentemente onisciente. Mc. 13.32 “Mas daquele dia e hora ninguém sabe,
nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai”. Antes de falar do Filho nesse versículo vale destacar que quando a Bíblia diz “ninguém sabe ... senão só o Pai” isto não exclui apenas os anjos e Jesus, mas também, se consideramos a visão trinitária que o põe como uma pessoa à parte do Pai, o
Espírito Santo acerca do qual ninguém pode alegar que estava em carne ou de ter sido feito homem e se esvaziado, que é o que alegam acerca de Jesus. Uma coisa é conhecer a pessoa outra é saber o que ela sabe. Mas, fora da visão trinitária podemos dizer que o Espírito Santo por ser o espírito do Pai, o.conhece, e que Jesus também em profundidade, mas isso não é sinônimo de saber o que ELE sabe.
Nosso Senhor Jesus Cristo não sabia o dia de sua volta (nem o Filho), e quando disse que não sabia é porque não sabia mesmo, pois foi Ele quem nos ensinou em Mt. 5.37: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o que passa daí, vem do Maligno.” Além do mais se Jesus sabia quais eram os sinais da sua vinda, inclusive ditou o famoso Sermão da Montanha que descreve eventos futuros, se
fosse onisciente porque mentiria dizendo não saber o dia de sua volta? Afirmar que Jesus tenha dois centros de consciência, como preferem alguns, e que ora falava por um centro, ora pelo outro é um artifício “teológico” que, buscando justificar a impossível doutrina da igualdade absoluta de Jesus com Deus, seu Pai, terminou por transformá-lo em um indivíduo de, no mínimo, dupla personalidade ou um dissimulado que mesmo sabendo dizia que não sabia, ou que por um critério completamente desconhecido oscilava em suas respostas, ora por um “centro de consciência”, ora por outro, como se
fosse duas pessoas, ainda que a doutrina da união hipostática afirme que há duas naturezas em uma única pessoa e não duas pessoas em um único ente. O agravante desse conceito é que precisaríamos reconhecer que não haveria comunicação entre os dois centros de consciência, pois como a informação poderia estar presente na consciência do “Deus-Cristo” e não estar disponível ao Homem- Cristo, além do mais a “detectação” por qual dos centros de consciência Jesus estaria falando termina ficando ao critério do leitor, atribuindo as falas de Nosso Senhor a uma fala “como homem” ou “como Deus” dependendo da ocasião, quando nem de longe a Bíblia insinua isso. Agostinho tenta resolver
essa dificuldade trinitária alegando que “Ele [Jesus] ignora o que não quer dar a conhecer, isto é, ignorava-o para manifestá-lo aos discípulos” 585, mas estranhamente ele também disse na mesma obra:
“Quem considera que Deus agora se esquece e depois se lembra, ou têm outras opiniões semelhantes, está totalmente em erro...”586. O curioso é que dizer que Deus é um e único, no sentido estrito da palavra, como sempre foi ensinado, por milhares de anos pela Bíblia, agora é considerado uma heresia, mas dizer que Jesus tem dois centros de consciência e “ignora o que sabe para não dar a conhecer as coisas aos discípulos” é estranhamente considerado doutrina bíblica e ortodoxia da fé
cristã por alguns. Certos comentaristas como, por exemplo, os teólogos responsáveis pelo Comentário Bíblico Africano, sugerem que Jesus não sabe porque estava esvaziado: “A ignorância de Jesus, nesse caso, representa uma limitação voluntária que ele aceitou como parte de sua humanidade (Fp. 2:8),
explicada pela kenosis (isto é, a doutrina segunda a qual ele se esvaziou a si mesmo de parte de seus atributos divinos quando se tornou humano)587”. Embora este argumento seja uma tentativa de resposta para a dificuldade apresentada em Mc. 13.32, há sérios problemas com ele, pois, nesse caso, Jesus teria se esvaziado do que quer que fosse apenas parcialmente, e isso não é o que diz Fp. 2.6-8. Lá está dito que uma forma foi deixada para se assumir outra, logo não foi algo parcial que aconteceu. E a afirmação de que ele se esvaziou de “parte de seus atributos” além de não ser isso que está alegado em Filipenses destrói o esvaziamento ali preconizado, visto que ele não teria sido um esvaziamento real, e,
nesses moldes, não há como saber, sem especular, do que teria se esvaziado, já que ao falar em “parte” não há indicação alguma de que parte seria essa. Mas, seria a onisciência? Como o próprio Deus poderia deixar de ser onisciente? Ele, por algum momento deixou de ter os atributos que lhe identificam como O Deus?
Certamente essas perguntas não cabem se estamos realmente falando de Deus. Assim, o Comentário Bíblico Africano peca porque Deus não pode se desfazer de seus atributos e é isso que ali estão querendo afirmar. Mas, se assim fosse quem o restituiria? Deus? Como isso poderia ocorrer se ele teria se desfeito? Será que um dos membros da trindade teria deixado de ser Deus e outro membro
depois o refez Deus novamente? Deus foi refeito por outro que é ele mesmo [o próprio Deus]? Não tem sentido nem bíblico, nem lógico.
●As Escrituras dão provas que Jesus tinha (e tem) apenas uma e plena consciência de quem era e o que fazia aqui na terra, e a usava sem qualquer perda de memória ou oscilação, também mantinha plena lembrança do seu período anterior a sua vinda à terra. Em Jo. 6.62, por exemplo, lemos “Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava?” e, ainda Jo. 17.5 “Agora, pois, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que
o mundo existisse.” Há quem reivindique Jo. 16.30 “Agora conhecemos que sabes todas as coisas..”, como prova da onisciência de Jesus, mas aqui seria trocar as palavras dEle, Jesus, que disse: “Eu não sei a data” Mt. 24.36, pelas dos discípulos que disseram “sabes todas as coisas”. Mas, há contradição? Claro que não! ●Basta ler o contexto● de Jo. 16 para perceber que os discípulos, ao dizerem “sabes tudo” estavam se referindo as perguntas feitas a Cristo e que Ele as haviam respondido
todas, de modo que concluíram “não necessitas de que alguém te interrogue.”
A própria Bíblia diz que: “E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo” ( I Jo. 2.20), evidentemente que este “sabeis tudo” não
quer indicar que sejamos onisciente. Além do mais, não podemos ter essas palavras dos discípulos como uma avaliação cabal e plena do conhecimento de Jesus pois, para isso eles, os discípulos, precisariam saber de tudo também para poderem mensurar e dizer com propriedade, atestando, que Jesus sabia de tudo. Certamente nenhum discípulo poderia ter essa qualificação de avaliador, então, ao
afirmarem aquilo estava dentro do contexto em que a pergunta foi feita. Outro versículo também usado, nessa mesma linha, é Jo. 21.17 “Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu
te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.” Mas, nesse versículo de João os requerentes esquecem de avaliar a condição pretérita de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois se ele fosse o próprio Deus na eternidade passada, um coigual com o seu Pai, ele saberia, consequentemente, o dia da volta antes de ser feito carne. Ai surgem as dificuldades: Jesus teria esquecido? Só seria onisciente eventualmente enquanto na terra? O despojamento preconizado em Fl. 2.6 significou despojamento também de mente
e memória? A essas perguntas a Bíblia é claríssima: Jo. 1.27 “Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca.”
Jo. 3.12 “Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das
celestiais?” (lembrava das coisas celestiais)
Jo. 8.28 “... e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou.” (lembrava do ensino do Pai) Jo. 6.62 “Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava?”
(lembrava de sua antiga posição)
Jo. 12.49 “Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu
mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar.” (lembrava dos mandamentos do Pai sobre o que falar) Jo. 17.5 “Agora, pois, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu
tinha contigo antes que o mundo existisse.” (lembrava da glória que tinha, antes mesmo do mundo existir) Jo. 18.36 “Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da
verdade ouve a minha voz.” (lembrava os motivos que o fizeram vir ao mundo)
O próprio profeta de Deus, João Batista, testifica de que ele era antes dele, mesmo sendo mais velho seis meses. Jo. 1.30 “Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu.”
A Bíblia em absolutamente lugar algum diz que Jesus Cristo, Nosso Senhor, tenha esquecido
as coisas de sua vida anterior ao se fazer humano. Nada se fala de um apagar da mente do Salvador.
De um despojar das lembranças. Pelo contrário, não com poucas ocorrências, mostra-se que ele tinha plena consciência das coisas passadas. Muitos insistem em dizer que Jesus estava em sua condição
humana, mas como vimos a condição humana não apagou as lembranças do passado celestial e se devemos considerar o Espírito Santo uma terceira pessoa nada se fala do verso que esse que não estaria na condição humana sabe, mas diz que somente o Pai sabe. Pois bem, se Jesus não esqueceu
absolutamente nada de sua vida passada com o Pai, antes de o mundo existir, e testemunha isto diante de todos, isso significa que ele não sabia, de fato, o dia de sua volta, mesmo antes de se fazer carne e continuou sem saber na terra. É uma conclusão inevitável que decorre dos versos que falam de sua memória pretérita. E, se ele não sabia e continuou não sabendo na terra, pois não esqueceu nada do
passado, mostra que falta nele um dos atributos de seu Pai, Deus: A onisciência.
Se alguém alegar a condição terrena de Jesus para o seu desconhecimento de sua vinda,
então, também não poderá reivindicar onisciência que costumam alegar como acontece com o uso que fazem, por exemplo, de Lc. 10.22 “Tudo por meu Pai me foi entregue; e ninguém conhece quem é o
Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”, primeiro porque aqui está dito “Tudo por meu Pai me foi entregue”, e segundo porque esse conhecimento entregue ao Filho pelo Pai é partilhado com quem o Filho quiser revelar, implicando dessa forma na percepção de que conhecer o indivíduo é conhecer o seu caráter, suas características e coisas do
gênero e não força a conclusão de que isso signifique saber o que ele sabe, doutra sorte “aquele a quem o Filho o quiser revelar” poderia saber tanto quanto o Pai e o Filho sabem e essa conclusão não é plausível dentro da Bíblia, muito mais quando lemos em Jo. 12. 49 “Porque eu não tenho falado de
mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar”. Ora, uma mente onisciente entre o Pai e o Filho implicaria dizer que nada é oculto ao Filho, mas não é isso que o próprio Filho testifica nesse verso. Está claro que ele recebeu do Pai. A Bíblia não querendo deixar dúvida da limitação e dependência de Jesus, além de todos os versículos já
mostrados, o apresenta recebendo revelação da parte de Deus, mesmo em sua condição de glorificado, para poder comunicar aos seus servos as coisas que estariam por acontecer em Ap. 1.1 “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem
acontecer...”
O Filho não é inerentemente onipotente. Todo o poder que Ele tem lhe foi dado pelo Pai. Em
sua condição terrena lemos em Jo. 10.18 “Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. ●Este mandamento recebi de meu Pai.” Após a ressurreição lemos em Mt. 28.18 “E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.” E, no mundo vindouro ele se sujeitará a Deus mostrando que não é um coigual, ou seja, não é o mesmo que Deus é, como quer o credo atanasiano, I Co. 15: 27 “Pois se lê: Todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz: Todas as coisas lhe estão
sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. 28 E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o próprio Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.” Perceba aqui a questão que Paulo faz em distinguir e destacar que UM não lhe está sujeito, justamente aquele que todas as coisas lhe sujeitou. Como
podem ser co-iguais se há UM que lhe sujeita as coisas? E se são o mesmo Deus como alegam os trinitários, por que Paulo insiste em dizer que quem lhe sujeitou as coisas não lhe está sujeito? Se na mente de Paulo os dois fossem co-iguais essa declaração não teria sentido. Em várias outras ocorrências vemos Jesus mostrar sua limitação e total dependência de Deus, seu Pai: João 5.19, 30,
36; 8.28; 14.10,11, 31. A Bíblia mostra que os milagres de Jesus decorrem da atuação de Deus na vida dele “Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos
bem sabeis” (At. 2.22) O Filho não é inerentemente onipresente. Já vimos que falta a inerência de onisciência e onipotência, mas será que o filho é, então, onipresente, considerando versículos como Mt. 18.20?
■ Onde se ler “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Observe que essa expressão de Jesus pode ser tomada no mesmo sentido usado por Paulo, acerca dele mesmo, em I Co 2.5 “Porque ainda que eu esteja ausente quanto ao corpo, contudo em espírito estou
convosco...” Certamente isto não era uma declaração de onipresença do apóstolo Paulo. Jesus também disse que estaria conosco Mt. 28.20. Se analisarmos 18.20 com mais atenção veremos que Jesus fala
em um contexto que não parece estar relacionado a uma situação de pós-morte, ou seja após ressurreição, como em 28.20, nem é uma reivindicação de onipresença. Ele falou naquele tempo presente que estaria com quem estivesse reunido em nome dele, ou seja, ainda que pudesse estar fisicamente ausente estaria em espírito presente. Ele mesmo falando no verso 19 diz que se alguém concordasse acerca de algum pedido seria concedido por seu Pai, e por que? Porque Ele estaria entre
seus discípulos. Assim, esse “estar no meio deles” parece muito mais denotar, dentro do contexto, comunhão espiritual do que presença propriamente dita, e isto se acentua mais ainda quando lemos em Jo. 12.26 “Se alguém me quiser servir, siga-me; e onde eu estiver, ali estará também o meu servo; se alguém me servir, o Pai o honrará”, Jesus, diz que onde Ele estiver, ali estará o seu servo; se Ele é
onipresente, estando em todos os lugares, então, seus servos seriam, também, onipresentes por estarem onde Ele estiver? Certamente, nem uma, nem outra declaração é reivindicação de inerência de onipresença. Leia Jo 16.28: “Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai”. Perceba que quando Jesus estava na terra, não estava no céu, ainda que alguns aleguem que Ele
estava no céu pela leitura de Jo. 3.13, mas, nesse caso, cumpre esclarecer que a expressão “que está no céu”, não é leitura unânime nos manuscritos do Novo Testamento, até porque essa expressão causa
uma inconsistência na Bíblia que seria admitir que Jesus, enquanto filho do homem, que é a expressão usada no versículo, estando na carne em forma de servo estaria também no céu, isso chocaria com o esvaziamento revelado em Fl. 2.6. De qualquer forma, precisamos meditar um pouco mais sobre o
que é onipresença: Onipresença é aceito como a capacidade ou poder de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, e nesse sentido acerca de Yahweh lemos: Sl. 139.8 “Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também.”, mas de Jesus se diz Ef. 4.9 “Ora, isto -ele
subiu- que é, senão que também desceu às partes mais baixas da terra?”, Jesus para subir ao mais alto dos céus, antes desceu às partes mais baixas da terra, ou seja, ele não estava ao mesmo tempo nesses dois lugares como Yahweh, que é onipresente, está. Ao passo que seu Pai já está para onde se imaginar ser possível ir, o Filho se deslocou de um lugar para outro em qualquer sentido que se dê a
esse deslocamento.
Ainda outra observação é oportuna. Onipresença, é uma palavra que é fatalmente poder, ou seja, é o poder de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, então, se Jesus tem hoje a plenitude do poder, essa capacidade seria uma derivação do poder que lhe foi dado e não uma inerência dele mesmo. Mas, se frisado que tudo tem origem no Pai.
Não é inerentemente imortal, acerca do Pai lemos I Tm. 1.17 “Ora, ao Rei dos séculos,
imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém”, mas acerca do Filho lemos em I Co. 15.3 “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras”, qualquer que seja o argumento que possa ser levanto para negar essa realidade, é fato que Nosso Senhor Jesus Cristo morreu e ressuscitou, e a
faculdade da morte não é uma das faculdades de Deus sob nenhum aspecto. O próprio poder de dá Vida que Cristo hoje tem vem de concesão do Pai, Jo. 5.26 “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo”.
O Filho não é auto-suficiente Mt. 20.23 “...mas o sentar-se à minha direita e à minha
esquerda, não me pertence concedê-lo; mas isso é para aqueles para quem está preparado por meu.Pai.” Há coisas que somente o Pai pode dar e coisas que somente a ELE compete At. 1.7 “E disse- lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder ”.
Admitir que a divindade “é/são” três para um dos três ser limitado em relação ao outro parece ser algo incompatível com o conceito de um Deus que é auto-suficiente e coigual. Perceba que aqui Ele não está falando de incapacidade por auto-esvaziamento, mas poderio por inerência, e, nesse aspecto,
somente o Pai pode concedê-lo. A ideia de que cada um tem um papel distinto na divindade não convence, no íntimo, nem quem defende isso e soa mais como desculpa.
O Filho não é auto-existente, pois possui vida derivada, pois vive pelo Pai Jo. 6.57 “Assim
como o Pai, que vive, me enviou, eu vivo por causa do Pai...” 588 (A21), ou ainda Jo. 5.26 “Pois assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim também deu ao Filho ter vida em si mesmo”. Ele dá essa vida a quem comunga com Ele Jo. 6. 57 “... quem de mim se alimenta, também viverá por mim.”. Após receber vida do Pai, permitindo que Jesus a tenha em si mesmo, Ele pôde dizer que era “... o caminho, e a verdade e a vida...” indicando ser Ele a via pelo qual se chega ao Pai. Hb. 7.25 “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus” Não é eterno no sentido pleno, ou seja, “de eternidade a eternidade”. A solicitação por parte dos trinitarianos que buscam atribuir essa eternidade plena a Jesus, Nosso Senhor, vem de Hb. 1.8, que já estudamos anteriormente com relação ao termo “Deus”. Como lá está dito: “O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos”, esta frase “seculos dos séculos” ou “para todo sempre” como preferem algumas versões é entendida como eternidade plena, isto é, passado e futuro; mas isto não é verdade dentro da Bíblia, pois nas Escrituras mesmo lemos: Sl. 145.2 “Cada dia te bendirei, e louvarei
o teu nome pelos séculos dos séculos.”, certamente o salmista, não tinha vida “de eternidade (passada) a eternidade (futura)” para louvar pelos séculos dos séculos; e acerca do reino também lemos em Dn.
7.18 “Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, sim, para todo o sempre”. Nota-se aqui que, também, os santos do Altíssimo não são eternos em sentido pleno: “de eternidade a eternidade”, mas a partir do recebimento do Reino, reinarão para sempre (pelos séculos
dos séculos). O outro verso é Em Cl. 1.17, “Ele é antes de todas as coisas...”, aqui não diz, por si só, que ele existe desde a eternidade passada, mas que é antes das coisas que Ele mesmo criou. Muitos consideram que todas as coisas deve ser entendido como qualquer coisa ou absolutamente tudo, mas considere que em Colossenses mesmo, três versos depois se lê: “E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus”. Certamente “todas as coisas” ai não envolve os anjos caídos ou os pecadores não arrependidos, nem o próprio Satanás, logo essa expressão “todas as coisas” não pode atender o imediatismo que se propõe para Cl. 1.17. Costuma-se usar Hb. 8.13 “Jesus Cristo
é o mesmo ontem, hoje, e o será eternamente”, mas não se pode concluir que “ontem” nesse verso tenha sentido de eternidade pretérita, muito mais quando lemos, por exemplo, Jó 8.9 “Porque nós somos de ontem, e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra.”, ou seja, de um
tempo passado, mas não de um passado eterno. Ao passo que com relação a Deus lemos em I Cr 29.10 “... Bendito és tu, Yahweh Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade.” e ainda Sl 90.2 “De eternidade a eternidade tu és Deus”.
O Filho não é inerentemente imutável. Hb. 8.13, lido acima denotam a imutabilidade de seu
caráter, mas não de sua condição, pois o simples fato de ter sido feito carne implica, necessariamente, em uma mudança de condição, ainda que se alegue que não houve mudança na essência ou natureza,
mas, a própria alegação de duas naturezas que Cristo passaria a ter eternamente a partir da realidade de sua vida terrena, a humana e a divina, também implica a admissão de mudança. O corpo glorificado obtido no momento da ressurreição implica, também, mudança. As Escrituras testificam que ele precisou aprender Hb. 5.8 “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que
padeceu”. Porém, acerca de Deus, seu Pai, lemos em Tg. 1.17 “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.”
Sequer “sombra de variação” é admitida em Deus, nosso Pai. Jesus não está, por si só, no topo da hierarquia celeste e nem se disse igual a Deus. Ele disse ser enviado de Deus, o Pai em Jo. 8.42 “Respondeu-lhes Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, vós me amaríeis, porque eu saí e vim de Deus; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou.” e acerca de
quem envia e quem é enviado Ele nos ensinou Jo 13.16 “... Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou.” Lembremos que a decisão de sua vinda não foi tomada na terra, mas no céu onde não se pode alegar limitação por estar em carne, isso revela que ele já era inferior ao Pai antes mesmo de vir à terra. Até depois da ressurreição quando na haveria razão
para se alegar limitações, pois, também, já não mais estava em carne, dEle se diz: I Co. 11.3 “Quero porém, que saibais que Cristo é a cabeça de todo homem, o homem a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo”. Alguns reivindicam que como não deve haver diferença entre o homem e a mulher,
assim não há diferença de Jesus com Deus, mas se o versículo quis ensinar isso, e parece que não, então, deveríamos também dizer que não há diferença entre o homem e Jesus, e, se a mulher é igual ao homem que é igual a Jesus, então todos seriam iguais a Deus (?). Se não for possível, como, de fato, não é, considerar a mulher e o homem ao mesmo nível de Deus, visto que o objetivo daquele trecho de I Coríntios não pretendeu mostrar igualdade, mas diferenças, então, Cristo também não está no mesmo nível de Deus. Aqui se apresenta uma hierarquia onde Deus está no topo e Cristo vem logo abaixo DELE, isso é confirmado quando vemos a aplicação do modelo de hierarquia por cabeças em
Ex. 18.25 “E escolheu Moisés homens capazes, de todo o Israel, e os pôs por cabeças sobre o povo; maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinqüenta e maiorais de dez.” No que tange as mulheres a Bíblia diz: “...e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.” (Gn. 3.16), claro que os
maridos devem amá-las como Cristo amou a igreja dando sua própria vida por elas, mas a ideia de hierarquia designada pela representação das “cabeças” permeia a Bíblia, fazendo parte desse arranjo Divino: a mulher, o homem, Cristo e Deus. Adicionalmente podemos ler I Co. 3.22,23 “...tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus”, Paulo não estava falando do Jesus em carne, mas de Jesus, o Cristo, já glorificado, e aqui mais uma vez vemos uma sequência de pertinência: nós pertencemos a Cristo, pois dele somos e dependemos, e, Cristo pertence a Deus, pois a ELE pertence e dELE depende. E, se precisarmos de, ainda, mais um argumento adicional, então, recorramos ao próprio
Cristo que disse: “...meu Pai é maior do que eu” (Jo. 14.28) O Filho tem vontade distinta da do Pai, mas se submete por lhe ser obediente. Se Jesus fosse uma “substância” com seu Pai, Deus, como alegam os trinitarianos, então, enquanto “hipóstase” (Filho) estaria em conflito com a “substância” da qual participaria com a “hipóstase” (Pai), pois disse em Mt. 26.39 “... Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero,
mas como tu queres.”, disse ainda em Jo. 12.27 “Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora.”, mostrando claramente ter vontade distinta.
Podemos ler ainda em Jo. 6.38 “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” Se as chamadas “hipóstases” ou pessoas têm vontades distintas não podem ser a mesma “substância”, ou seja, não podem ser o mesmo Deus.
Poderíamos listar, revisionalmente as seguintes diferenças ontológicas:
Mateus 27.46: “E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá
sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Marcos 15.34: “E, à hora nona, Jesus exclamou com grande voz, dizendo: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?'” O Filho chama ao Pai de seu Deus, mas o Pai não chama, nunca, ao Filho de seu Deus. Se as hipóstases são co-iguais e nenhuma é menos Deus que a outra,
como afirmam os trinitarianos, o fato de Jesus haver se tornado homem não mudaria o fato de ele “ser” Deus sob pena de variação na Deidade; assim, se a hipóstase Filho chama o Pai de Deus, seria natural esperar que a hipóstase Pai, também chamasse ao Filho de seu Deus, já que, também, como
dizem os trinitarianos um sempre busca a glória do outro. Se a vinda de Jesus em carne “afeta” essa percepção, fato que será reivindicado pelos trinitários, o mesmo não se pode dizer do Espírito Santo, pois este não veio em carne, e se não se fez matéria, por que, então, nem o Pai, nem o Filho chama o
Espírito Santo de seu Deus. A dedução natural é que o uso da expressão “meu Deus”, se referindo ao Eterno Deus de Israel, não é limitada em relação ao Verbo por haver sido feito carne, mas pelo fato de não ser intercambiais entre as pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Mc. 13:32 e Ap. 1:1 Jesus não sabe coisas que só Deus sabe. Lc. 1:32,33 A realeza de Jesus é dada por Deus.
Jo. 13:16, Jesus disse: “Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que oseu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou.” Jesus disse em diversas ocasiões que “...
o Pai me enviou.” (Jo. 5.37,6.37). O Espírito Santo também foi enviado pelo Pai (Jo. 14.26) e por Jesus (Jo. 16.7,13), mostrando ser inferior a Jesus e ao Pai. O Pai nunca foi enviado por ninguém.
Jo. 17.1-3 Jesus ora a Deus
Jo. 4.22 Jesus adora a Deus.
At. 3.13 Jesus é chamado de servo de Deus. (ARA) At. 5.31 Jesus é exaltado por Deus.
At. 10.42 Jesus é constituído por Deus.
At. 2.24, Rm. 10.9, 1 Co. 15.15 “Deus levantou [Jesus] dentre os mortos".At. 2.36 O senhorio de Jesus é dado por Deus.
I Co. 15.28 Jesus é sujeito a Deus.
I Co. 11.1 Deus é cabeça de Jesus.
I Co. 15.24-28 Deus colocou tudo, exceto a Si próprio, sob o domínio de Jesus.
I Tm. 2.5 Jesus é o mediador entre Deus e os homens.
Fp. 2.9 A autoridade de Jesus é dada por Deus.
Fp. 2.6 Jesus não pretendeu se apoderar da condição de Deus que só o Pai tem.
Hb. 2.17,18 e Hebreus 3:2 Jesus tem fé em Deus.
Hb. 5.7 Jesus tem reverente submissão e temor de Deus.
Hb. 5.10 Jesus é feito por Deus sumo sacerdote.
Ap. 3.12 Jesus tem alguém que é, para ele próprio, Deus e este é o Pai. etc
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585 Agostinho em A trindade, Paulus Editora, 2ª Edição – 1994, pág. 54
586 Idem, pág. 24587 Comentário Bíblico Africano – Mundo Cristão – 2010, pág. 1222 (obra prefaciada por John Stott e Robert Aboagye)588 Aqui um trinitarista poderia reivindicar a possibilidade de a afirmação significar que Deus é a razão da vida de Cristo,
não por dependência, mas por ser o Filho o defensor do Pai, mas essa ideia logo seria derrubada pelos versos seguintes
quando Jesus diz “... quem de mim se alimenta, também viverá por mim.” mostrando nitidamente que assim como
Deus é sua subsistência, também Jesus é a subsistência de seus servos.


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